segunda-feira, 19 de janeiro de 2015


O Russo





Eu sai para passear com a matilda, minha cachorra, e vi um outro cachorro, grande, bonitinho sentado no meio de um mato na esquina. Como sempre, pensei se ele teria água para beber neste calor e se estaria com fome. Subi com a Matilda para casa e desci com ração e água. Ele veio com o rabinho balançando na minha direção, uma carinha tão boa. Percebi que ele era diferente. Soube na hora que ele não tinha crescido na rua, não tinha aquela esperteza de cães crescidos na rua. o coitado tinha sido abandonado como tantos outros. Não sabia procurar comida, não conhecia a maldade dos humanos para se defender e estava muito carente. Tive vontade de passar a mão nele e assim fiz, ele me seguiu até meio da esquina, mas logo parou e voltou para o mato onde estava. Meu coração apertou, quase chorei e não senti mais sossego no coração sabendo dele.

Assim foram os outros dias, no mesmo lugar, todos os dias eu passava e lá estava ele paradinho. Percebi que outras pessoas colocavam água para ele e raramente ele saia dali. num dia de chuva, o procurei e o descobri enfiado embaixo de um caminhão se abrigando. Pensei em deixar um recado para o dono do caminhão tomar cuidado ao arrancar para não atropela-lo.

Por algum motivo me senti responsável por ele, dei um nome que me veio a cabeça do nada, Russo. Ele gostou, pois balançou o rabinho. Senti que precisava fazer alguma coisa, no outro dia sai com o tablet para tirar foto e enquanto isso pensava, "vou arrumar uma casa boa pra ele". Tirei as fotos e fiquei pensando como pedir para resgata-lo. Mas quando cheguei em casa, havia um recado de uma vizinha no meu facebook, me falando de um cão manso deitado no portão dela, e me pedindo resgate. Era ele! o Russo! mesmo sem a descrição dela, senti que ela falava do Russo.

Era noite de revellion, temi pelos fogos que assustam os cães, não relaxava mais pensando no destino daquele cachorro. mas quais eram as perspectivas para ele? Cão adulto, porte grande, vira-lata, macho, muito bobo... quem o adotaria? No meu prédio não podia, infelizmente não tenho dinheiro. No natal ainda falei dele e minha vó foi taxativa,"não pegue".

Mas quando o destino decide, está decidido. corri para o portão dela. Cheguei perto e ele já me reconheceu, balançou o rabinho. Graças a deus, esta vizinha resolveu resgata-lo, ligou para o veterinário e em poucos minutos ele estaria a caminho para banho, hotelzinho e exames. Ele de tão bonzinho não deu qualquer trabalho no resgate, sentou enquanto colocávamos a coleira nele e entrou sozinho no carro. Meu coração tava quase pulando, senti vontade de chorar de alegria. O destino do russo seria mudado como ele merecia.

Porém esta primeira adoção não deu certo, um cachorro muito grande para um apto muito pequeno, com outro cão muito ciumento. uma loucura. Logo comecei meu processo de ansiedade. A todo momento sentia um misto de querer ficar com ele e temer por ele. Medo que ele fosse para a rua novamente.

Corri para conseguir um Lar Temporário. Uns amigos aceitaram e então foi uma nova corrida para achar uma adoção definitiva. No fundo queria eu adota-lo, eu sentia que ele gostava de mim tanto quanto eu gostava dele. Joguei até na Mega Sena naquela semana, na esperança de ganhar dinheiro para comprar uma casa só para ter ele comigo. Não funcionou. pessoas o achavam lindo, mas muito grande, muito vira-lata. e ele tão manso e tão carente só querendo amor.

Mas depois de 2 semanas de muita ansiedade, Russo ganhou uma nova casa, ganhou uma familia, uma casa com muito espaço e uma irmã vira-lata chamada Doli. Uma alma muito boa o adotou, independente do tamanho, da raça e de tudo. Eu senti que era a hora da vida dele mudar mesmo, mais do que mudaria comigo.

Parece loucura o que vou dizer, mas foi amor instantâneo meu por ele e dele comigo. Foi um encontro de almas, e sei em cada festinha que ele fez pra mim, o amor que ele me deu, que ele sabia e também sentiu que eu estava ali pra ele. Ele sempre será meu, e o meu coração será dele.Quando vejo o novo destino do Russo e lembro daquele cachorro escondido debaixo do caminhão, implorando por alguém que desse carinho, tenho vontade de explodir de amor e de felicidade.

Sobre a adoção, sei que não vou e não pretendo mudar o mundo, mas também sei que posso mudar a vida de pelo menos um animal. Cada animal resgatado e adotado é pelo menos uma vida que mudamos. De um em um não vamos mudar o mundo, infelizmente não. Enquanto tiramos um da rua, outros centenas nascem, é preciso uma consciência coletiva, uma ação eficaz do estado e de todos. Mas fazer a diferença na vida de pelo menos um torna a nossa vida menos egoísta e mediocre. Essa é a função do resgate e da adoção, mudar a vida daqueles que podemos.

Assim, esta história teve um final feliz. Agradeço a todos os envolvidos, nunca me senti tão bem. E essa postagem é dedicada ao Russo que me ensinou o que é estar feliz de verdade.

domingo, 8 de junho de 2014

Fora Dilma... opa.. Péra!






Vejo um crescente Fora Dilma (não q seja problema, direito das pessoas), o que tem me incomodado é que 90% dos argumentos para um Fora Dilma não são responsabilidade da presidência.


Precisa ser esclarecido que no Brasil existe uma divisão clara de poderes e de atribuições. o executivo, legislativo e judiciário possuem atribuições autônomas e claras, as esferas federais, estaduais e municipais idem.
 
A Dilma NÃO PODE NUM IMPERATIVO mudar presidentes da Câmara e do Senado, tirar ou colocar parlamentares, extinguir projetos de lei antes de estes irem para a etapa de sanção.
 
O transporte público é responsabilidade municipal, a PM é responsabilidade estadual, na maioria dos casos que vc reclamam, cabe a União, esfera federal, apenas repassar uma verba, e as esferas estaduais ou municipais executarem. 

É assim com a saúde, com a educação, com as estradas, com boa parte das obras de infraestrutura.  
 
Muitos dos problemas que vcs alardeiam contra a Dilma é culpa de VOCÊS, que votam em parlamentares mesmo sabendo que já respondem a processos por corrupção.


É preciso saber a quem cobrar, para cobrar. Não adianta ir à Copasa e reclamar da conta da Cemig. Simples assim.
 
Você pode ser Fora o que quiser (eu sou FORA LACERDA) 

MAS INFORME-SE ANTES DE FALAR MONTE DE BOBEIRA, E PEDIR A CABEÇA ERRADA.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Que bom que foi suicídio!



E descobriram que aquele menino cometeu suicídio, que não foi um crime de homofobia. Que bom que o menino suicidou, né, assim a sociedade se acha no direito de ficar isenta de enxergar o mal que causa.

Para mim, tanto o suicídio dele, quanto de outros milhares de jovens gays que se matam todos os anos é um crime de homofobia.

A homofobia, disfarçada em forma de religião, de cultura, faz com que todos os anos, muitos jovens acreditem que são errados, que tem um problema. A falta de apoio (até dentro de casa), a discriminação em todos os contextos, é uma das principais causas de depressão e suicídio entre adolescentes e jovens homossexuais. Nos EUA a coisa foi tão levada a sério, que se criou o gigantesco programa "It gets better", em que até o Obama entrou, para tentar evitar esse tipo de triste estatística.

Mas no Brasil, principalmente com o crescimento da bancada evangélica, é preferível acreditar que existe uma CURA para uma OPÇÃO sexual, e ignorar o fato, é melhor! Então repito! Que bom que o menino suicidou, né, assim a sociedade se acha no direito de ficar isenta de enxergar o mal que causa.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

BH e a vergonha.. ou a falta dela...



Para quem não sabe, porque é de fora de BH, ou porque é da nossa cidade mas vive num mundinho a parte, Belo Horizonte tem passado, vergonhosamente, por diversas medidas higienistas nojentas. São ações organizadas pelo poder público, por associações de moradores de bairros de pessoas X e Y que se acham melhores que as demais, e por grupos de pessoas que acham que estão acima das leis e dos demais.

É vergonhoso o que vem ocorrendo, é vergonhoso a colocação de pedras afiadas embaixo de viadutos e passarelas, é vergonhoso o recolhimento d os pertences dos moradores de rua, como um vídeo gravado de policiais ateando fogo a colchões dos moradores de rua, é vergonhoso o caminhão pipa passar na madrugada e molhar locais onde moradores dormem. Sim, eu tenho vergonha dessa cidade. Essa não é a Belo Horizonte que eu amo.

Quem me conhece sabe quanto me orgulho de ser mineira,sabe que já até briguei com parente por causa de Minas, mas cada vez que observo as políticas públicas tomadas em Minas e em Belo Horizonte nos últimos tempos, e apoiadas pelo grosso da população, eu me envergonho! Eu me envergonho desse curral eleitoral que o Aécio Neves criou, dessa falsa aura de choque de gestão, dessa administração vergonhosa do Marcio Lacerda, das pessoas acreditando que está nascendo realmente uma nova BH, em que a sujeira só está sendo varrida para debaixo do tapete. Eu me envergonho dos moradores do bairros nobres de BH, pelos eleitores do Marcio Lacerda, Aécio Neves, Zezé Perrella, Clesio Andrade, Leo Burgues e Anastasia.

Mas tudo bem! Viva o Galo, Viva o Cruzeiro... Minas está no topo do nosso país.

“O que aconteceu com Estrela?

Dia 26 de junho foi um dia enigmático em BH, último jogo da Copa Das Confederações e a cidade de pé em uma grande manifestação. O desfecho foi uma batalha que se espalhou do mineirão até as ruas do centro da capital. Verdadeiro cenário de guerra onde a PM perdeu totalmente o controle de suas ações e o caos predominou.

Vários relatos sobre grupos que se dispersaram pela cidade em arrastões surgiram no dia seguinte, entre estes, uma notícia triste: um morador de rua foi espancado até a morte. Pessoas que participam de grupos que acompanham os moradores de rua ficaram estarrecidos ao saber quem foi a vítima: Luis Estrela, um jovem que teimava em ser artista, que fazia da rua o seu palco, dos curiosos platéia, de roupas usadas figurino de gala. Bailarino de sonhos, cheio de caras e bocas, herói e marginal, que podia perder tudo, menos o senso de humor ácido e a coragem.
Assim como outros dois mil moradores de rua sua morte segue sem nenhuma pista. Ninguém sabe, ninguém viu quem agrediu Luis Estrela. Alguns relatos tão notícias de um grupo de espancamento que estava batendo nos moradores de rua indiscriminadamente. Dizem que Luis apanhou até morrer, outros dizem que durante o espancamento ele teve uma crise de convulsão e em todos os relatos uma pista em comum: o medo. Os que viram e sabem quem comandava este grupo tem medo de falar e sabe muito bem porque. As ruas de BH não são seguras e os boatos de grupos de espancamento e intimidação parecem mais reais.

As vésperas da Copa das Confederações, nos meses de maio e junho, a fiscalização municipal intensificou suas ações na tentativa de recolher os pertences dos moradores de rua – cobertores, papelão, mochilas com objetos pessoais, utensílios de cozinha, entre outros – para inviabilizar a permanência nos lugares públicos. Mesmo com a recomendação do Ministério Público que proíbe tal prática conseguimos registrar um Boletim de Ocorrência flagrando fiscais em atuação no dia 28 de junho.

Relatos das ruas nos informam que em regiões nobres da cidade um carro branco circula nas madrugadas e seus ocupantes agridem os moradores que dormem na região. Entre as ações de fato, praticadas pelo poder público e as ações isoladas aqui comentadas, nos preocupamos com o momento em que elas se unem, a realização de um mega-evento, no caso a Copa Fifa 2014. As exigências da Fifa, mais o desejo do poder público de apresentar uma cidade limpa e organizada pode render a perseguição e morte de vários outros moradores de rua, numa onda crescente que já estamos vivenciando este ano.

Luis Estrela se foi como um cometa, não voltará e deixou por aqui marcas incríveis de humanidade. Definitivamente não podemos aceitar que um crime como este entre apenas para as estatísticas de “crimes sem solução” e seja acobertado com o movimento para os jogos da Copa. Não podemos deixar que a impunidade seja a cortina que esconde pessoas organizadas para limpar a cidade dos moradores em situação de rua e que aproveitam o momento para aterrorizar a todos. Por tudo isso não podemos nos calar e perguntamos: O que aconteceu com Estrela?”

Texto: “O que aconteceu com Estrela?” retirado no site http://atingidoscopa2014.wordpress.com/2013/10/30/o-que-aconteceu-com-estrela/